Foto: Bruno Gomes
Por Bruno Gomes

A atmosfera tranquila e acolhedora de Castro guarda consigo um mistério que já perdura há quase um século. Lenda ou não, a história do túmulo que chora, até hoje leva centenas de pessoas ao Cemitério Frei Mathias, em busca da sepultura da menina Mírian Novaes Santos.
Filha de classe média, Mírian foi uma criança bastante extrovertida e carismática. Seus pais enxergavam nela um grande potencial justamente por sua capacidade de conquistar as pessoas com seu jeito dócil e meigo de ser. Seu bom rendimento escolar também era digno de acreditar em um futuro promissor para a menina. Passou grande parte da sua infância brincando às margens do Rio Iapó, esbanjando sua energia e vitalidade.
No auge de sua pré-adolescência um trágico acidente pôs a perder tudo o que se esperava de Mírian. Durante uma tarde em sua casa, a jovem, após encerrar seus deveres escolares, se preparava para sair e brincar, quando inesperadamente ela se desequilibrou nas escadas, sua queda que lhe custaria muito caro.
Mírian caiu desacordada e foi encontrada pela mãe que, aos prantos, recolheu sua filha do chão e imediatamente comunicou ao pai da menina. Com ela já consciente o casal correu até o hospital da cidade em meio às lágrimas dela, que reclamava de fortes dores em seu braço esquerdo. Mírian foi prontamente atendida e a equipe médica diagnosticou a enfermidade como uma osteomielite, que é um quadro inflamatório que afeta um ou mais ossos, provocado geralmente por bactérias ou fungos. Além de não ter cura, a doença pode agravar-se quando se difunde pela corrente sanguínea, podendo comprometer outros ossos e até tecidos do corpo.
A família de Mírian em conjunto com a equipe médica optou por submeter ela a uma cirurgia, a fim de cessar as dores insuportáveis que ela alegava sentir no local. Infelizmente, a intervenção cirúrgica não obteve o resultado esperado. A partir deste dia, suas perspectivas de melhora se reduziram quase que por completo, do ponto de vista clínico.
Mesmo vendo aquela menina carismática de um futuro promissor nesta situação quase que irreversível, seus pais teimavam em aceitar o inevitável e tentavam de todas as formas amenizar o sofrimento da filha. Mírian foi regredindo dia após dia, até que da doença crônica no braço, degenerou-se em um câncer, que dias depois culminou com a morte dela, aos 14 anos de idade.
Incrédulos com a irreparável perda, os pais de Mírian não admitiram perder sua filha querida da maneira como aconteceu. Movidos por esta insatisfação, o casal ordenou que fizesse uma estatueta de bronze dela. A réplica da menina foi feita na mesma posição em que ela permaneceu nos seus momentos derradeiros de vida, sendo deitada de bruços com um dos braços estendidos, a fim de amenizar um pouco da sua dor. Esta estátua foi posicionada em anexo ao túmulo de Mírian, e tempos depois foi furtada.
E até hoje pessoas procuram visitar o túmulo da menina, alegando que dele verte uma água que teria propriedades de caráter milagroso. Inclusive em períodos climáticos de seca, a água da sepultura permanece por fluir, levando pessoas a acreditarem nos poderes sobrenaturais.